A tradição da demonstração de artes marciais

Embu pode ser traduzido como uma “apresentação de habilidades marciais.” O que evoluiu para se tornar uma demonstração pública do estilo característico. Às vezes é apenas um dojo. Às vezes vários grupos se reúnem em grandes encontros anuais. Nesses eventos não há participação direta do público.

Por mais divertido que seja estar num Embu, por mais que seja maravilhosa a camaradagem que se cria entre os companheiros de dojo e até mesmo com pessoas de outros koryu, os Embu são assuntos sérios. Você está demonstrando para pessoas de fora, o melhor de suas habilidades, como representante de seu ryu. No koryu atual, este é o mais próximo que se pode chegar de um situação estressante competitiva em público, desde que os aspectos esportivos do koryu foram adaptados para judô, kendô e outros shinbudo modernos.

Embu, provavelmente, remonta a uma época em que as escolas de artes marciais ainda eram relativamente relevantes em habilidades aplicáveis ​​em combate para guerreiros em treinamento. Considerando que você nunca sabia qual província você podia acabar lutando na próxima guerra civil, ou quais grupos de samurais. Um dojo normalmente guardava suas técnicas do público em geral a maior parte do tempo. Você não queria mostrar a assinatura de seus métodos e táticas para inimigos potenciais ou eles poderiam usar isso contra você mais tarde.

A única exceção geral para isso era quando você era convidado a ser parte de uma “demonstração oficial”, na frente de um senhor daimyo ou da realeza ou como oferenda às divindades da vila, ou alguma outra ocasião especial semelhante. Devido a essa característica histórica, embu é considerado um assunto respeitoso e sério.

Neste vídeo, há um grande número de expectadores. Para os participantes, no entanto, uma grande pressão é colocada sobre eles e não apenas porque muitas pessoas estão assistindo, mas porque as próprias divindades estão assistindo, eles estão realizando embu como oferenda aos espíritos. E, claro, há a pressão prática de não fazer papel de bobo na frente de outros praticantes que conseguem notar as suas falhas.

Adaptado do artigo Embu: going into battle publicado originalmente no blog Classic Budoka.

Por que chamar alguém de Sensei?

A tradução literal do termo Sensei é “aquele que nasceu antes“. Este nascimento é algo simbólico e representa a precedência em relação a algum tipo de sabedoria. Por isso, de forma geral, professores e instrutores são chamados de Sensei.

Porém, ser chamado de Sensei não é como ter concluído um curso, eleger-se para um cargo político ou ser aprovado num concurso. Não se pode simplesmente reclamar o direito adquirido ao título . É algo um pouco diferente da lógica do mundo atual, onde o diploma, o selo ou o certificado vale mais do que a atitude e automaticamente dá direito ao uso do título.

Além disso, não é muito correto chamar-se “Sensei”. Sempre que um professor se apresenta para alguém no Japão, eles vão usar apenas seu sobrenome. Eles podem se referir a sua profissão como sendo um professor (“O que você faz?” “Eu sou um professor”), mas não se referem a si mesmos como tal. Então, francamente, apresentar-se como “Eu sou o sensei fulano de tal” soa meio estranho e até um pouco arrogante para os meus ouvidos …

J. Akiyama

Não… é justamente o contrário, este tratamento(Sensei) é a expressão do relacionamento entre duas pessoas. É um laço que se reafirma cada vez que é pronunciado. Por isso, espera-se que um Sensei mantenha a mesma atitude: antes, durante e depois de sua aula ou treino. Essa atitude inclui, entre outras coisas, o profundo respeito por todos, a real intenção em servir e o eterno olhar de aprendiz.

Entretanto, esta não é uma questão que depende exclusivamente do professor. Na verdade, essa expressão diz muito mais respeito ao próprio locutor. É uma oportunidade, não apenas como forma de reconhecimento e respeito. Mas uma oportunidade de demonstrar coragem, humildade e disciplina.

Pois coragem não é revidar um soco ou andar por aí armado. Isso são apenas exemplos de um instinto animal competitivo. Coragem é assumir uma posição diferente das pessoas do seu grupo. Até mesmo um simples elogio requer muito mais coragem nos dias de hoje. Ter humildade é reconhecer em outra pessoa a possibilidade de receber algo que você não possui. Não esquecer disso tudo no seu dia a dia e agir de acordo, requer disciplina.

Certamente temos a oportunidade de aprender com várias pessoas no nosso dia a dia e embora isso seja mais comum no Japão, talvez chamar todas de Sensei seja um pouco estranho aqui no Brasil. Mas existem vários outros adjetivos que podemos usar e atitudes que podemos tomar. Para isso, basta manter nossa humildade, coragem e disciplina.

Por último, a decisão deve ser feita de forma consciente, intencional. Usar o tratamento simplesmente porque todos os demais o fazem, tem tão pouco (ou menos) valor do que não chamar o seu professor de Sensei.