Uma ponte entre o Aikido e as danças circulares

Desde o começo do curso de formação no Move o Mundo, eu pude perceber a afinidade do Aikido com as danças circulares. Já no primeiro módulo após algumas danças e exercícios, tivemos um momento para refletir sobre a consciência/intencionalidade dos movimentos e a percepção de unidade. Além, é claro, do componente em comum mais óbvio que é a circularidade.

A roda ou qualquer movimento circular, como girar sobre o eixo do próprio corpo, ajuda a pessoa a se autocentrar e a se equilibrar.

Psicóloga Glaucia Rodrigues
Coordenadora do Centro de Estudos Universais

Isso é de grande relevância para o Aikido. Passamos muito tempo repetindo as movimentações básicas que serão eficazes em boa parte das situações. O treinamento contínuo permite que tenhamos uma resposta mais natural. Entretanto, é essencial manter-se consciente do porquê realizar o movimento, para poder adaptá-lo quando necessário.

Também é comum realizarmos técnicas pensando na deflexão, na neutralização do ataque e no controle do parceiro como eventos isolados. Entender a mecânica e os detalhes de cada componente pode ajudar, mas quando tratados como momentos completamente independentes eles são inúteis e sem sentido. É preciso experimentá-los como um conjunto indissociável.

Recentemente, desenvolvi, em parceria com Isabel Rogoski, minha primeira vivência/exercício para o grupo de danças circulares  fazendo o caminho inverso. Tentando demonstrar como o equilíbrio do ponto de vista do Aikido pode enriquecer a roda. Partindo do equilíbrio individual em nosso centro físico de massa (Seika Tanden) com a projeção do ki. Passando pelo equilíbrio quando estamos conectados com um parceiro. E finalmente quando estamos em roda com um grupo.

Reconhecer o nosso centro em cada situação e tê-lo sempre como nossa referência é fundamental para tornar o nosso movimento harmonioso tanto no Aikido como nas danças circulares.

Colocados em círculo, percebemos a nossa identidade com o outro pois, ao mesmo tempo em que reconhecemos a nossa igualdade – a unidade que habita no centro – também acolhemos a presença única e insubstituível de cada um que está colocado em pé na linha da circunferência

William Valle
focalizador e coreógrafo de danças circulares

Agradeço ao meu mestre William Valle, em nome de todo grupo, por me ajudar a desenvolver novas habilidades em sintonia com os princípios da harmonia e não-resistência e pela oportunidade de compartilhar na roda um pouco da minha própria bagagem.